Durante este mês falamos muito sobre Oxum e sobre a importância de aprender a cuidar de nós mesmos. Falamos da mulher que cuida dos filhos, da família, do trabalho, da casa e de tantas pessoas ao seu redor que, muitas vezes, acaba se colocando por último. E talvez o Outubro Rosa chegue justamente para nos fazer uma pergunta muito concreta: quando foi a última vez que você transformou o amor que oferece aos outros em cuidado com o seu próprio corpo?

Oxum nos ensina sobre amor, acolhimento, fertilidade, maternidade, sensibilidade e valorização de si. Diante de seu espelho, podemos fazer muito mais do que observar nossa aparência. Podemos aprender a olhar para o nosso corpo com atenção e respeito. Perceber mudanças, conhecer nossos limites, cuidar da saúde e realizar os acompanhamentos recomendados também são formas de dizer: “Minha vida tem valor e merece ser cuidada.”

O câncer de mama nos lembra da importância desse cuidado. E prevenção não deveria nascer apenas do medo de adoecer. Pode nascer do amor pela vida. Consultar um profissional de saúde, conhecer o próprio corpo e realizar os exames indicados para nossa idade e situação individual são atitudes de responsabilidade. O Ministério da Saúde recomenda que mulheres de 50 a 74 anos façam mamografia de rastreamento a cada dois anos; fora dessa faixa, ou diante de sinais, sintomas ou maior risco, a avaliação deve ser individualizada com um profissional de saúde.

Também precisamos desfazer uma ideia importante: o autocuidado não substitui a mamografia nem a avaliação médica. Conhecer as próprias mamas ajuda a perceber alterações, mas não devemos esperar encontrar um caroço para procurar atendimento. Mudanças como nódulo persistente, alteração no formato da mama, retração da pele ou do mamilo, saída espontânea de líquido pelo mamilo ou outras alterações incomuns merecem avaliação profissional. Perceber algo diferente não significa necessariamente câncer, mas significa que devemos investigar.

E aqui encontramos um ensinamento de Oxum que vai além da beleza: olhar para si exige coragem. Há pessoas que adiam consultas porque têm medo do resultado. Outras estão tão ocupadas cuidando da família que sempre dizem: “Depois eu vejo isso.” Mas quantas vezes esse “depois” vai sendo empurrado? Cuidar da saúde não é tirar tempo daqueles que amamos. É também uma maneira de tentar permanecer ao lado deles por mais tempo.

Para quem está enfrentando o câncer de mama, o espelho pode se tornar ainda mais desafiador. O tratamento pode trazer mudanças no corpo, no cabelo, na pele, na disposição e na forma como a mulher se reconhece. É justamente nesse momento que precisamos lembrar que feminilidade, dignidade e valor não estão presos a uma mama, ao cabelo ou a qualquer padrão de aparência. O corpo pode atravessar marcas de uma batalha sem que a mulher deixe de ser inteira.

As águas de Oxum também podem simbolizar acolhimento durante esse caminho. Haverá dias de força e outros de cansaço. Dias de esperança e dias de medo. Ninguém precisa demonstrar coragem o tempo inteiro. Receber ajuda também é cuidado. Permitir que a família acompanhe, aceitar o apoio dos amigos, conversar sobre o que sente e buscar acompanhamento psicológico quando necessário não diminuem a força de ninguém.

E para nós, enquanto comunidade de terreiro, existe uma responsabilidade igualmente importante. Diante de uma irmã que enfrenta uma doença, nossa função não é perguntar se lhe faltou fé nem prometer uma cura que não podemos garantir. É acolher. É oferecer oração, passe, presença, escuta, carinho e auxílio, sempre respeitando e incentivando o acompanhamento médico. A espiritualidade pode sustentar o coração enquanto a medicina cuida do corpo. Uma não precisa ocupar o lugar da outra.

Talvez seja essa uma das mensagens mais bonitas que podemos levar de Oxum para o Outubro Rosa: o amor-próprio precisa sair do discurso e se transformar em atitude. Amar-se também é marcar aquela consulta que estamos adiando. É fazer o exame recomendado. É prestar atenção aos sinais do corpo. É pedir ajuda quando sentimos medo. É incentivar uma mãe, irmã, filha, amiga ou companheira a se cuidar — sem assustar, mas com amor.

Neste Outubro Rosa, diante do espelho de Oxum, não procure apenas beleza. Procure vida. Olhe para a pessoa refletida nele e reconheça que ela também merece sua atenção, seu tempo e seu cuidado.

Que Mamãe Oxum acolha especialmente todas as mulheres que hoje enfrentam o câncer de mama, aquelas que estão em investigação, as que passam pelo tratamento, as que estão em recuperação e as famílias que caminham ao lado delas. Que suas águas simbolizem esperança nos dias difíceis e nos recordem de que fé também pode se manifestar através da responsabilidade com a própria saúde.

E que nenhuma de nós espere adoecer para descobrir que também precisava estar em sua própria lista de prioridades.

 

O câncer de mama nos lembra da importância desse cuidado. E prevenção não deveria nascer apenas do medo de adoecer. Pode nascer do amor pela vida. Conhecer o próprio corpo, perceber alterações e procurar atendimento quando algo diferente aparece são atitudes de responsabilidade e amor por si mesma. Mas é importante lembrar que conhecer as mamas não substitui os exames de rastreamento.

No Brasil, a recomendação oficial do Ministério da Saúde é que mulheres de 50 a 74 anos realizem mamografia de rastreamento a cada dois anos, mesmo quando não apresentam sinais ou sintomas. Mulheres que percebam alguma alteração nas mamas ou que tenham situações específicas de maior risco devem procurar um profissional de saúde para avaliação individual, independentemente da idade.

Por isso, o Outubro Rosa também nos convida a transformar informação em atitude. Não espere sentir alguma coisa para começar a se cuidar. E, se perceber um caroço persistente, alteração no formato ou na pele da mama, mudança no mamilo ou saída espontânea de líquido, procure atendimento de saúde. Perceber uma alteração não significa necessariamente que seja câncer, mas significa que ela merece ser investigada.

E aqui encontramos um ensinamento de Oxum que vai além da beleza: olhar para si exige coragem. Há pessoas que adiam consultas porque têm medo do resultado. Outras estão tão ocupadas cuidando da família que sempre dizem: “Depois eu vejo isso.” Mas quantas vezes esse “depois” vai sendo empurrado? Cuidar da saúde não é tirar tempo daqueles que amamos. É também uma maneira de tentar permanecer ao lado deles por mais tempo.

INFORMAÇÃO TAMBÉM É CUIDADO

Mamografia de rastreamento: mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Percebeu alguma alteração na mama? Não espere a próxima mamografia de rotina. Procure uma unidade ou profissional de saúde para avaliação.

Espiritualidade acolhe. A medicina diagnostica e trata. As duas podem caminhar juntas no cuidado com a vida.

Neste Outubro Rosa, cuide de quem você ama. E não se esqueça de incluir você. 

Ora Yê Yê Ô, Mamãe Oxum! 

Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina
Onde a caridade é o nosso maior fundamento.

Informação e espiritualidade caminham ao lado do cuidado em saúde. Em caso de alterações nas mamas ou dúvidas sobre rastreamento, procure um profissional de saúde.

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