Vivemos tempos em que parece que precisamos estar fortes o tempo todo. A vida corre depressa, as preocupações se acumulam, as cobranças aumentam e somos constantemente convidados a produzir mais, resolver mais, conquistar mais e mostrar aos outros que estamos bem. Nesse caminho, porém, vamos acumulando cansaços que nem sempre aparecem no corpo. Guardamos decepções, palavras que nos feriram, medos, preocupações e sonhos que deixamos para depois. E é justamente diante de uma vida tão pesada que a energia dos Erês nos apresenta uma de suas mais belas características: a cura pela leveza, pela renovação e pela capacidade de começar novamente.
Quando falamos da força de cura dos Erês, não estamos falando apenas da cura de uma enfermidade. Existe a cura do coração, da esperança, das lembranças dolorosas, da tristeza que carregamos silenciosamente e até da maneira como passamos a enxergar a vida. Os Erês trabalham com uma energia que nos recorda aquilo que muitas vezes esquecemos quando adultos: a vida também precisa de alegria para florescer. O sorriso, a brincadeira, o doce, as cores e a espontaneidade não representam falta de seriedade espiritual. Ao contrário, podem simbolizar a restauração daquilo que o sofrimento endureceu dentro de nós. Há dores que precisam de palavras, outras precisam de silêncio, mas existem também aquelas que começam a cicatrizar quando conseguimos novamente sorrir sem culpa.
Por isso a força dos Erês está tão ligada aos inícios e recomeços. Tudo aquilo que nasce traz consigo a energia da infância: um projeto, uma casa, um trabalho, um relacionamento, um aprendizado, uma nova etapa espiritual ou simplesmente uma decisão de mudar. No início ainda não sabemos tudo, ainda podemos errar, tropeçar e precisar tentar novamente. E talvez seja justamente aí que esteja uma grande lição dos Erês: não precisamos saber todo o caminho para termos coragem de dar o primeiro passo. A criança aprende andando, cai enquanto aprende, levanta e tenta outra vez. O adulto, muitas vezes, tem tanto medo de fracassar que prefere nem começar.
Na vida atual, somos pressionados a apresentar resultados antes mesmo de respeitarmos o tempo necessário para construí-los. Comparamos nossos primeiros passos com a caminhada já amadurecida de outras pessoas e nos sentimos atrasados. Queremos respostas imediatas, reconhecimento rápido e certezas para tudo. Os Erês nos lembram de outra maneira de viver: comece pequeno, cuide, tenha paciência e permita crescer. Uma semente não deixa de possuir uma árvore dentro dela apenas porque ainda não conseguimos enxergar seus galhos. Da mesma forma, algo que hoje parece pequeno em nossa vida pode carregar possibilidades enormes quando recebe dedicação, amor e tempo.
E talvez precisemos muito dessa força nos dias de hoje. Estamos cercados de informações, conflitos, cobranças e opiniões. Temos inúmeras maneiras de nos comunicar e, paradoxalmente, muitas pessoas se sentem cada vez mais sozinhas. Corremos atrás do amanhã enquanto quase não percebemos o hoje. Os Erês nos convidam a recuperar a presença: olhar nos olhos, abraçar, brincar, conversar, agradecer, dividir, confiar e perceber as pequenas alegrias que ainda existem ao nosso redor. Eles não nos ensinam a ignorar os problemas do mundo, mas a não permitir que os problemas do mundo destruam nossa capacidade de acreditar que ele pode ser melhor.
Neste mês dedicado aos Ibejis, São Cosme e São Damião e aos nossos queridos Erês, podemos pedir cura, proteção e bênçãos para aquilo que estamos iniciando. Mas podemos também assumir um compromisso com aquilo que desejamos receber deles. Se queremos renovação, precisamos permitir mudanças. Se queremos cura, precisamos olhar para nossas feridas. Se queremos novos caminhos, talvez seja necessário abandonar alguns antigos. E se queremos começar novamente, precisamos compreender que recomeçar não significa apagar nossa história; significa não permitir que ela determine para sempre o nosso futuro.
Que os Erês curem em nós aquilo que a vida endureceu. Que devolvam esperança onde o medo criou morada, movimento onde houve paralisação, confiança onde nasceram inseguranças e alegria onde o coração se tornou cansado. Que abençoem cada novo projeto, cada novo caminho, cada novo aprendizado e cada pessoa que encontrou coragem para dizer: “Eu vou tentar outra vez.”
Porque talvez uma das maiores curas que os Erês possam nos ensinar seja esta: depois de tudo aquilo que vivemos, ainda podemos nos permitir acreditar que algo bonito pode começar.
Salve os Erês! ??
Salve os Ibejis!
Salve São Cosme e São Damião!
Tenda de Umbanda Caboclo Tupinambá e Vó Catarina
Onde a caridade é o nosso maior fundamento.